Para falar de festival de gim, paulo corghis não deixa música de lado

Camden House, Cocktails, Paulo Corghis -

Para falar de festival de gim, paulo corghis não deixa música de lado

Eleito mês do gim, novembro chegou ao Camden House com quatro receitas inspiradas em músicas alternativas. “Please Kill Me” é o livro de "Legs" McNeil e Gilliam McCain que conta a história do punk desde suas origens. É uma obra fundamental para quem quer entender o cenário da música de resistência e o cenário underground de Londres. De lá para cá, inspirou um dos drinques criados pelo bartender Paulo Corghis. Também na lista, Blonde Redhead, Dum Dum Girls e Phantogram são bandas homenageadas com receitas à base de gim e muita história. 

Confira abaixo o bate-papo apaixonado que mistura gim e muita música:

Gim tem a ver com música?

Gim tem tudo a ver com Inglaterra. Tanto que tem até nome próprio por lá: London Dry. Sem falar que o Punk Rock, de que eu sempre gostei muito, é originalmente inglês. Quando jovem, a gente ouvia muito Ramones, Sex Pistols, Ratos de Porão e é inegável que o livro “Please Kill Me” é importantíssimo na minha formação. Não por acaso, tem um drinque com o nome dele no meu festival. Então, eu acho que gim tem tudo a ver com música nessa origem comum.

Mas os outros três drinques que você criou tem nome de bandas dos EUA?

Sim, são drinques que homenageiam bandas com vocais femininos que eu gosto muito. Não são exatamente bandas punk, pelo contrário, muitas vezes elas exploram a docilidade de composições mais calmas. Mas são bandas de um cenário alternativo dos Estados Unidos, que nunca deixou de creditar bastante influência ao punk inglês.

Como você conheceu elas?

Em 2011 eu passei um mês de férias em Londres e pude andar bastante pela Terra da Rainha. Nessas andanças, eu conheci a “All Saints”, um conglomerado gigante de roupas moderninhas. Além das 218 lojas, eles fazem um trabalho muito bacana, com projetos musicais e de vídeos. Entre esses projetos está o AllSaints East, que aposta em talentos musicais contemporâneos, caso de Blonde Redhead, Phantogram e Dum Dum Girls.

Mas a interpretação que você deu para as bandas é um pouco diferente, não?

Ah, sim. Dum Dum Girl e Phantogram são bandas com uma sonoridade mais tranquila. Então eu criei receitas que brinco que são “drinques-piscina”. Você não precisa ficar pensando muito para ouvir ou para beber. Em ambos os coquetéis eu uso sorbet: sorvetes sem leite e sabor de frutas vermelhas ou de frutas tropicais. Entretanto, o drinque Blonde Redhead, assim como a banda, têm mais complexidade pra mim. A banda começou com uma sonoridade super pesada, grande influência do punk, e então foram ganhando maturidade e leveza. Outro dado que eu quis colocar no drinque é o fato de a banda ser formada por dois gêmeos que nasceram em Milão, na Itália. Para isso, eu uso o Strega, que é um licor de ervas italiano que nem todo mundo conhece.

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